Um pouco sobre a história da teoria de conjuntos e de seu criador.
O matemático e teólogo alemão Georg Cantor foi um expoente da matemática do século XIX, seus trabalhos acerca das séries de Fourier e sua reconstrução dos números reais o inserem no contexto que costuma-se chamar de Aritmetização da Análise. Movimento de extrema importância para história da matemática e identificado principalmente nas figuras de Karl Weierstrass e do francês Augustin-Louis Cauchy, esse movimento redefiniria rigorosamente alguns conceitos obscuros como o conceito de infinitesimal que foi ulteriormente substituído pelo conceito de limite de uma função. Cantor tornou-se célebre por criar a teoria de conjuntos ou por muitas vezes também chamada de teoria ingênua de conjuntos, pois Cantor possuía uma concepção “intuitiva” de conjunto como podemos ver em CANTOR 1895: “[...] por ‘um conjunto’ nós entendemos qualquer coleção ‘M’ tomada como um todo de objetos ‘m’ definidos e separados da nossa intuição ou nosso pensamento” (apud: SILVA, DENISE VILELA in Dois Empregos da Noção de Conjunto: G. Cantor e a Teoria de Conjuntos). Em outros termos, quaisquer coleções de objetos que satisfaça uma determinada condição denotaria um conjunto, porém essa concepção intuitiva refletia as próprias convicções filosóficas de Cantor acerca das entidades matemáticas, pois para ele os objetos matemáticos como números, conjuntos ou funções existiam objetivamente e independente da mente do matemático como vemos na já conhecida frase: “[...] a essência da matemática reside precisamente na sua liberdade” (apud: Formalismo Hilbertiano vs Pensamento Intuitivo in Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática 52 (2005), 1-25).
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